Zagueiros têm mais chance de ficarem dementes, de tanto cabecear a bola.
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- 26 de abr.
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por: HERMÍLIO ÁLVARES

Um estudo publicado em outubro de 2019 descobriu que ex-jogadores de futebol profissional têm três vezes e meia mais probabilidade de morrer de demência do que qualquer outro homem. Pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unidos, confirmaram a ligação entre futebol e danos cerebrais após investigarem alegações de que cabecear a bola poderia causar lesões cerebrais.
O lendário Geoff Hurst, que marcou três gols na final da Copa do Mundo de 1966, entre Inglaterra e Alemanha, acredita que deveria haver uma proibição às crianças de jogarem futebol e apoiou os apelos para que os clubes limitassem os cabeceios em sessões de treinamento.
- Está se tornando um problema maior a cada dia”, disse Hurst em novembro. “Quanto maior se torna o problema, mais difícil é para as pessoas nos níveis mais elevados do esporte evitarem lidar com ele”, advertiu.
Hoje, por determinação da FIFA, qualquer contato cabeça com cabeça entre jogadores determina que a partida seja interrompida para que os médicos possam fazer uma avaliação na hora da gravidade do problema. Quanto às jogadas em que o defensor cabeceia para que a bola não chegue em seu gol, não há ainda uma forma de avaliar o problema – e por isso permanecem inalteradas.
Mas não é apenas o futebol que está lidando com o impacto dos ferimentos na cabeça – mas também o rugby e o futebol americano. Aos 42 anos, o ex-jogador de rugby da Inglaterra Steve Thompson diz que não consegue se lembrar de nada sobre ter vencido a Copa do Mundo de Rugby em 2003.
Diagnosticado com demência precoce, ele se juntou a um grupo de jogadores, todos com menos de 45 anos, que reclamaram na justiça maior proteção aos atletas daquele esporte.
Hoje, um zagueiro cabeceia a bola pelo menos 50 vezes em treinamentos diários em seus clubes.
Nos jogos, essas ações são menos frequentes, mas os atletas sofrem graves contusões pelo alto. Há uma recomendação, ainda não cumprida, de que os jogadores de futebol quando sofrerem contusões na cabeça sejam retirados das partidas mesmo que, na hora, não apresentem problemas de saúde.
Muitas vezes, no futebol, vemos jogadores retornando ao campo após passarem por uma concussão - apenas para serem retirados alguns minutos depois, quando fica claro que eles não estão aptos para continuar. “Essa é a razão pela qual é necessário, com urgência, de substitutos temporários para concussões no futebol. Você simplesmente não pode correr o risco de ferimentos na cabeça”, disse Hurst.
Cinco campeões ingleses em 1966 foram diagnosticados com demência. No caso do Brasil, há uma forte suspeita de que a doença teria atingido Belini, o grande capitão da inesquecível Seleção de 1958.





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